Modelos e tendências evolutivas nos sistemas educativos
Os sistemas
educativos, enquanto conjugações organizadas e coerentes de elementos, com a
finalidade de educar os indivíduos, inseridos em sociedades, são organizados a
partir de vetores que configuram os seus princípios orientadores. Os sistemas
educativos interagem com as sociedades, ajustando-se sistematicamente à sua
evolução, ou devendo ajustar-se à sua evolução. As clivagens entre os sistemas
educativos e a sociedades que integram trazem sérias repercussões de vária
ordem, nomeadamente no funcionamento da economia.
Os sistemas
educativos europeus têm a sua origem no século XIX (Archer,1984), decorrendo
das modificações causadas pela Revolução Francesa (educação estatal
centralizada) e das lutas sociais em Inglaterra (educação descentralizada).
Estes enquadram diferentes tipos de escolas, que vão da escola única
(escandinava) à escola polivalente (britânica), passando pela escola de ensino
diferenciado (germânica) e pela escola de tronco comum (Europa mediterrânica)
(Ramos, 2011). A inserção no mercado de trabalho é valorizada, principalmente
em sistemas de tipo diferenciado. Assim, o tipo de escola depende, também, da
formação necessária para integrar determinada sociedade e da afinação entre
esta e o sistema educativo. A rapidez com que a sociedade do conhecimento vai
evoluindo, criando novos contextos de produção, traz dificuldades de
ajustamento.
Do ponto de
vista organizacional (Formosinho 1986)), os sistemas educativos podem seguir um
modelo centralizado, em que as decisões são tomadas no topo da hierarquia e as
bases as executam, ou descentralizado, em que há tal autonomia que as bases têm
poder decisório, o que facilita a tomada de opções atempada e com conhecimento
de causa. Os sistemas educativos centralizados podem, ainda, definir-se segundo
diferentes graus de centralização. Assim, a centralização é concentrada quando
todas as decisões são tomadas pelo organismo central, ao passo que pode
considerar-se desconcentrada quando o poder central delega competências,
classificando-se então como originária, fragmentada ou coordenada. Considera-se,
em geral, que a descentralização será um sinal de maturidade política e
exercício de cidadania.
As novas
tecnologias da web social têm vindo a provocar transformações imensas na
sociedade contemporânea, através do acesso facilitado e imediato à informação e
à partilha de conhecimentos a nível global. Ora, os sistemas educativos têm
tido alguma dificuldade em acompanhar a vanguarda tecnológica, o que causa,
frequentemente, desmotivação e desinteresse no público-alvo, composto por
estudantes que estão muito habituados a utilizar essas mesmas tecnologias fora
do contexto escolar. A escola, sendo embora um garante da manutenção de alguma
tradição, não deve cortar os laços com a realidade que a circunda, sob pena de
se tornar obsoleta. Tendo em consideração que o conceito de educação tem hoje
um sentido abrangente, não implicando apenas conteúdos, mas também
competências, para além de incluir a formação ao longo da vida, é vital a sua
articulação com a “sociedade do conhecimento”, o que implica, entre outros
aspetos, o domínio das novas tecnologias. São necessários constantes upgrades, sob pena de se sofrerem
desatualizações quase irreversíveis. Deste modo, pode concluir-se que os
sistemas educativos estão hoje, mais que nunca, a repensar-se de modo a obviar a
obsolescência.
Tem-se
verificado uma evolução muito marcada nos últimos anos, embora nem em todas as
escolas com a mesma intensidade. Há a consciência de que o novo e o antigo
devem harmonizar-se, encontrando-se um ponto de equilíbrio.
Deste modo,
surge o blended learning como um
método em que confluem diversas técnicas de ensino (ensino a distância, ensino presencial,
utilização das TIC – plataformas, facebook,
you tube, …) constituindo-se o aluno como elemento central, convidado a
construir o seu conhecimento, e a quem se fornece feed back constante (Monteiro. et al. 2013). A técnica a utilizar
será sempre a que mais se adequa ao público-alvo e à matéria a tratar,
podendo-se fazer as combinações necessárias ao sucesso da aprendizagem. Como
implica a ação do aluno constantemente monitorizada e motivada, torna-se capaz
de vencer a inércia característica das salas de aula sonolentas. Este método
pode, então associar aulas expositivas a trabalhos de grupo, a exercícios ou
trabalhos online, ao uso de todos os
métodos considerados propícios a uma aprendizagem profícua numa determinada
situação. A adequação dos materiais e o papel do professor são de enorme
relevância. Nos casos em que recorre com frequência às TIC, este método acaba
por ser bem menos oneroso que os restantes. Assim, de acordo com Delors,
aprende-se a conhecer, a fazer, a conviver com os outros e a ser. Há, no
entanto, que respeitar o direito à diferença e que resguardar os valores
identitários.

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